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Linhaça: pequenos grãos com grande efeito

4 de maio de 2022 · 6 min. de leitura
Leinsamen und Leinsamenöl

As sementes castanhas, douradas ou amarelo-claras da planta do linho têm um lugar fixo na alimentação de cavalos. Inteiras ou moídas, em óleo ou em bagaço, fornecem não só muita energia, mas também nutrientes importantes para a musculatura, o metabolismo e a digestão, além de darem brilho ao pelo. Aqui podes descobrir por que motivo a linhaça e os produtos dela derivados são tão valiosos para o teu companheiro.

O linho é uma das plantas cultivadas mais antigas do mundo. Desde o Neolítico que estas plantas bonitas, de flores azuis, forneciam fibras para o fabrico de têxteis, cordas e redes, e as sementes oleaginosas serviam de alimento para humanos e animais. Escritos de Hipócrates, o mais famoso médico da Grécia Antiga, comprovam que a linhaça e o óleo de linhaça já eram valorizados como dietéticos em 500 a.C. 

Para que pode ser usada a linhaça?

O efeito benéfico da linhaça ...

Já os antigos mestres de estrebaria conheciam o efeito benéfico da linhaça. Os resíduos da prensagem obtidos na extração do óleo eram usados em compressas quentes e ajudavam a amadurecer abcessos. Depois de grandes esforços, na muda de pelo ou em caso de perturbações digestivas, dava-se aos cavalos uma refeição quente, um «Mash», composto em boa parte por linhaça amolecida, ou adicionava-se à ração de cavalos mais magros um pouco de óleo de linhaça, que fornecia muita energia e dava brilho ao pelo. 

Os óleos da linhaça - uma valiosa fonte de energia para cavalos e cães

O que os mestres de estrebaria sabiam pela experiência está, há muito, comprovado empiricamente: as substâncias mucilaginosas contidas na casca da linhaça protegem o trato digestivo. Aplicadas externamente, formam uma espécie de película protetora sobre a pele e têm um efeito calmante e anti-inflamatório. Os óleos gordos da linhaça, com a sua percentagem recorde de ácidos gordos ómega-3, são de grande importância como fonte de energia e complemento alimentar dietético para cavalos – e também para cães. A muda de pelo é especialmente influenciada de forma positiva. 

Além disso, a linhaça contém as vitaminas B1, B2, B6 e E, bem como selénio, ácido nicotínico, ácido fólico e ácido pantoténico. O óleo de linhaça é rico em tocoferol (vitamina E) e ácidos gordos essenciais e tem efeito antibacteriano quando aplicado externamente.  

Como atua a linhaça na digestão?

As cascas da linhaça, ricas em fibras, contêm cerca de 7 % de substâncias mucilaginosas, que incham quando absorvem água. No trato gastrointestinal, a linhaça duplica de volume, favorecendo assim o peristaltismo intestinal. O óleo presente nas sementes também «lubrifica» as paredes intestinais. Mas também em caso de diarreia, como acontece frequentemente nos cães, a linhaça presta bons serviços: liga o líquido no intestino grosso e retarda a passagem das fezes. Além disso, dizem que liga e ajuda a eliminar as toxinas das bactérias que causam a diarreia. 

Qual a linhaça mais indicada para o meu cavalo?

O facto de as cascas das sementes serem castanhas ou douradas não tem qualquer influência sobre os nutrientes. Tanto os grãos inteiros como a linhaça moída podem ser fornecidos como alimento. No entanto, as substâncias mucilaginosas encerradas nas células da casca só fazem efeito quando a casca é quebrada, e os grãos não mastigados são excretados sem serem digeridos. A linhaça moída pode ser melhor aproveitada, mas, devido à sensibilidade à oxidação dos ácidos gordos insaturados libertados durante a moagem, tem uma validade curta. 

Na linhaça descascada, perde-se parte dos valiosos nutrientes que se encontram sobretudo na casca. 

Óleo de linhaça versus bagaço de linhaça e farinha de extração de linhaça

O óleo de linhaça é obtido a partir de grãos maduros e triturados. No óleo prensado a frio – facilmente reconhecível pela cor dourada e pelo aroma intenso – mantêm-se os valiosos nutrientes da linhaça. 

O bagaço de linhaça e a farinha de extração de linhaça são constituídos pelos resíduos da prensagem da linhaça obtidos na extração do óleo. Por isso, contêm menos gordura.

Para que é que o meu cavalo precisa de gordura?

Quase difícil de acreditar: também as plantas verdes contêm gorduras e óleos. Um cavalo com acesso livre a pastagens naturais está muito bem abastecido de ácidos gordos ómega-3, especialmente de ácido alfa-linolénico. Também a aveia, que antigamente era o alimento clássico dado a cavalos com trabalho pesado, contém óleo. Com o tempo, a aveia foi cada vez mais substituída por outros cereais, e as pastagens naturais, onde os cavalos encontram inflorescências e sementes, tornaram-se raras. 

Por isso, os especialistas recomendam a suplementação com óleos de alta qualidade, ricos em ácidos gordos polinsaturados: 

  • A linhaça, rica em óleo, contém elevadas quantidades de ácidos gordos ómega-3 polinsaturados, que têm um efeito positivo na elasticidade da membrana celular das células sanguíneas e das células nervosas. Assim, favorece-se a circulação sanguínea do organismo, fortalecem-se os vasos cardíacos e os processos inflamatórios no corpo são reduzidos mais rapidamente. 
  • A linhaça oferece a proporção certa entre os ácidos gordos ómega-3 e os igualmente importantes ácidos gordos ómega-6, presentes nas sementes sob a forma de ácido linoleico.
  • A absorção de vitamina E também está ligada à gordura, mais precisamente, dos tocoferóis, que apresentam atividade de vitamina E. A vitamina E é essencial, ou seja, o organismo não a consegue produzir por si próprio, dependendo do seu fornecimento através da alimentação. Os óleos vegetais, como o presente na linhaça, constituem as principais fontes de vitamina E natural. Os tocoferóis atuam como antioxidantes e como neutralizadores de radicais livres, ao fixarem-se nas membranas celulares e captarem aí os radicais de oxigénio que atacam os glóbulos vermelhos, os músculos e os tecidos. Assim, impedem a oxidação dos ácidos gordos altamente insaturados. Como os tocoferóis se oxidam eles próprios neste processo, precisam de ser constantemente repostos. Outra propriedade importante da vitamina E é o seu efeito positivo sobre o sistema imunitário. 

A questão do ácido cianídrico: tenho de cozer a linhaça? 

A linhaça contém, tal como aliás muitas plantas forrageiras, os chamados glucósidos cianogénicos – precursores do ácido cianídrico. Após a sua conversão no trato digestivo, isso corresponde a uma quantidade de cerca de 50 mg de ácido cianídrico por 100 g de linhaça. Com a quantidade recomendada de 0,5 – 1 g por kg de peso corporal por dia, o fornecimento de linhaça crua, de preferência moída, é totalmente seguro para o cavalo. Os proprietários de cavalos particularmente cautelosos podem, claro, também cozer ou demolhar as sementes: o composto de cianeto é volátil e evapora durante a cozedura ou liberta-se em banho-maria. 

Este pré-tratamento tem a vantagem adicional de abrir a casca da linhaça, tornando diretamente aproveitáveis as substâncias mucilaginosas que se encontram por baixo. No entanto, se a linhaça ferver demasiado, a massa cola-se teimosamente ao fogão... E, seja crua ou cozida, os cavalos consideram estes pequenos grãos verdadeiramente saborosos. 

Fontes

  • Coenen, M., & Vervuert, I. (2020). Pferdefütterung (6.ª ed.). Stuttgart: Georg Theme Verlag KG.
  • Krist, S., Buchbauer, G., & Klausberger, C. (2008). Lexikon der pflanzlichen Fette und Öle. Wien: Springer Verlag.

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