Léxico de ervas · Tiernahrung, Kräutersaft

Hortelã-pimenta

Os princípios ativos desta planta de sabor fresco e apimentado acalmam problemas gastrointestinais, aliviam cãibras e estimulam o apetite.
4 de maio de 2022 · 11 min. de leitura
Pfefferminze

A hortelã-pimenta (Mentha x piperita) é uma das plantas medicinais mais conhecidas. Os princípios ativos desta planta de sabor fresco e apimentado acalmam problemas gastrointestinais, aliviam cãibras e estimulam o apetite.

De onde vem a hortelã-pimenta e como é o seu aspeto?

Até hoje não é claro se a hortelã-pimenta foi cultivada de forma deliberada ou se a planta é um produto acidental de hortelãs do género Mentha, propensas ao cruzamento, das quais existem cerca de 30 espécies. A hortelã-pimenta é um híbrido entre a hortelã-aquática e a hortelã-verde. Presume-se que seja originária do leste asiático. Na Europa Central é conhecida desde o século XVII. A planta foi descrita pela primeira vez em 1696 pelo biólogo inglês John Ray, que lhe deu o nome de Peppermint devido ao seu sabor intenso.

A história do género das hortelãs deverá, no entanto, remontar a uma época muito mais antiga. Em escavações foram encontrados vestígios de hortelã em túmulos do antigo Egito. O nome botânico Mentha provém da mitologia grega: uma deusa ciumenta ter-se-ia vingado da sua rival, a ninfa Minthe, transformando-a numa planta.

A hortelã-pimenta pertence à família das lamiáceas (Lamiaceae) e está aparentada com o alecrim, a salva, o manjericão e a segurelha. A hortelã-pimenta não é resistente ao frio. As folhas ovais, ligeiramente serrilhadas, podem variar entre o verde-claro e o verde-escuro, consoante a variedade. As nervuras das folhas são geralmente violetas. Na face inferior das folhas encontram-se glândulas oleaginosas que contêm óleos essenciais. Ao esfregar as folhas entre os dedos, estas libertam um forte odor a mentol. Os caules, pilosos, acastanhados ou avermelhados, são quadrangulares e pouco ramificados. Entre julho e o início de setembro, produzem flores lilás-claras ou rosadas, por vezes também brancas, em forma de falsas espigas, das quais se desenvolvem frutos esquizocárpicos ovais. Nestes frutos amadurecem as sementes acastanhadas, semelhantes a pequenos grãos de arroz.

A hortelã-pimenta é fácil de cultivar e também se pode propagar através dos seus rizomas superficiais. Atualmente, ocorre em estado selvagem em muitos países. Importantes regiões de cultivo são a Grécia, a Inglaterra e a Espanha, sendo também cultivada na Alemanha. Até à década de 1950, a mais importante região de cultivo alemã situava-se perto de Munique, no município de Eichenau, onde se encontra atualmente o único museu da hortelã-pimenta da Alemanha.

Como é utilizada a hortelã-pimenta?

Com o seu aroma intenso, a hortelã-pimenta é uma excelente erva aromática. No entanto, deve ser utilizada com moderação, pois o seu sabor é muito intenso. Nas nossas latitudes, é pouco utilizada como tempero de cozinha; já na cozinha britânica, o molho de hortelã-pimenta para pratos de carne é um clássico. A hortelã-pimenta também desempenha um papel importante nas receitas árabes e indianas.

Como ingrediente de doces, a hortelã-pimenta é muito mais conhecida: desde os rebuçados de hortelã-pimenta até às pastilhas elásticas, o seu sabor representa frescura natural. O aroma a hortelã-pimenta acompanha-nos no dia a dia em pastas de dentes, elixires bucais e muitos artigos de cosmética.

O chá de hortelã-pimenta é, por um lado, uma bebida popular e saborosa. Em países árabes e do norte de África, o chá bastante açucarado é mesmo uma bebida nacional. Por outro lado, o chá de hortelã-pimenta é também um remédio eficaz. 

Como planta medicinal, a hortelã-pimenta só se tornou conhecida relativamente tarde. Outras espécies de hortelã selvagens já eram utilizadas muito antes. Em infusão, como vinagre de hortelã ou como cataplasma, pretendia-se que curassem problemas digestivos, doenças venéreas, úlceras e cólera.
Na medicina tradicional chinesa, a hortelã-pimenta é considerada um remédio refrescante e é utilizada em doenças das vias biliares e em estados de agitação nervosa. Também a medicina popular europeia destacou as suas propriedades refrescantes. A planta era tida como útil em caso de calor no corpo, dores de cabeça e problemas digestivos. Entre as indicações medicinais reconhecidas contam-se a utilização interna em meteorismo, em queixas funcionais do estômago, intestino e vias biliares, em catarros das vias respiratórias superiores, bem como, externamente, como óleo ou pomada em dores musculares, dores nervosas ou como pomada nasal. 

Na medicina veterinária, a hortelã-pimenta é utilizada sobretudo em problemas de tipo espasmódico na zona gastrointestinal e como estimulante do apetite. O efeito colerético da planta, ou seja, a estimulação da secreção biliar, foi comprovado em estudos científicos. Além disso, a hortelã-pimenta atenua a agitação e a insónia nos animais. O efeito relaxante pode ser reforçado através da combinação com outras plantas medicinais, como a valeriana ou o lúpulo.

Para aplicações fitoterapêuticas, utilizam-se folhas de hortelã-pimenta trituradas para pós e chá, bem como extratos aquosos e oleosos das folhas. As folhas são colhidas antes da primeira floração e uma segunda vez no outono, sendo rapidamente secas.

O óleo de hortelã-pimenta é obtido a partir de grandes quantidades de folhas através de destilação por arrastamento de vapor. Preparados que contêm óleo de hortelã-pimenta são utilizados externamente para fricções e inalações.

Que princípios ativos contém a hortelã-pimenta?

As folhas de hortelã-pimenta contêm 0,5 – 4 % de óleos essenciais, sobretudo mentol. O mentol está presente em numerosas hortelãs. O mentol tem efeito refrescante, analgésico e antiespasmódico. Além disso, favorece a digestão, aumentando a produção de suco biliar.

O linalol, um álcool monovalente, é um componente frequente dos óleos essenciais de ervas. Esta substância de aroma agradável encontra-se, por exemplo, também no óleo de alfazema e no tomilho. A substância tem efeitos calmantes em casos de agitação nervosa e distúrbios do sono.

O óleo essencial da hortelã-pimenta tem também efeito antibacteriano, entre outros contra a Escherichia Coli, e pode inibir de forma significativa o crescimento de leveduras e bolores. Além disso, diz-se que consegue combater os vírus da herpes e da gripe. 

Os taninos estão presentes em abundância na hortelã-pimenta. Têm efeito adstringente, anti-inflamatório e antimicrobiano.

No seu conjunto, os componentes da hortelã-pimenta têm efeito antiespasmódico, antibacteriano, antifúngico, colagogo e calmante. 

Em que problemas de cavalos e cães pode a hortelã-pimenta ser útil?

  • A hortelã-pimenta alivia cãibras estomacais e intestinais e tem efeito calmante em inflamações da mucosa gástrica, náuseas e vómitos.

 Dica: Como primeiros socorros em caso de cólicas, podem misturar-se algumas gotas de óleo de hortelã-pimenta com azeite e administrar-se ao cavalo. Mas atenção: em qualquer cólica, o veterinário tem de ser sempre contactado!

  • Os taninos da planta são eficazes em casos de diarreia.
  • A hortelã-pimenta ativa a digestão. Em cavalos com pouco apetite, a hortelã-pimenta pode ser misturada com a comida para estimular o apetite.
  • Em mudanças de alimentação, a hortelã-pimenta é um valioso suplemento alimentar para prevenir problemas digestivos.
  • Em animais stressados e tensos, a hortelã-pimenta tem um efeito suavemente relaxante e calmante.
  • Em cães idosos e agitados, a hortelã-pimenta ajuda a conseguir um sono reparador.  


Aplicação externa
: Aplicada externamente, a hortelã-pimenta, com efeito analgésico, anti-inflamatório e refrescante, pode ser utilizada em dores musculares e nervosas, comichão, bem como em traumatismos contusos.

Atenção: os preparados de hortelã-pimenta para aplicação externa não devem conter mais de 10 % de mentol, pois, caso contrário, pode ocorrer um agravamento da dor! Não aplicar sobre pele lesionada!

Em doenças respiratórias, as soluções de inalação com hortelã-pimenta podem trazer alívio. No entanto, a planta não tem efeito descongestionante.

Atenção: o óleo de hortelã-pimenta não deve ser utilizado na zona facial nem para inalação em animais muito jovens, pois pode provocar convulsões em recém-nascidos e animais jovens!

Contraindicações e efeitos indesejáveis:

  • A hortelã-pimenta não deve ser utilizada em animais com lesões hepáticas ou com obstrução das vias biliares!
  • O óleo de hortelã-pimenta é fortemente irritante para a pele e as mucosas e pode provocar inflamações. Não colocar em contacto com os olhos! Em animais, o óleo de hortelã-pimenta só pode ser utilizado diluído!
  • Os taninos contidos na hortelã-pimenta podem, em caso de utilização prolongada, provocar problemas digestivos. Ao administrar preparados de hortelã-pimenta na alimentação, respeitar as indicações do fabricante!
  • Na zona das vias respiratórias, o óleo de hortelã-pimenta pode provocar o chamado laringoespasmo, que pode mesmo levar à paragem respiratória! Por isso, não deve ser utilizado na zona das vias respiratórias, nem em crianças pequenas ou em pessoas asmáticas.


Fontes

  • Cäcilia Brendieck-Worm, Matthias F. Melzig: Phytotherapie in der Tiermedizin, Thieme 2018
  • Cäcilia Brendieck-Worm, Franziska Klarer, Elisabeth Stöger: Heilende Kräuter für Tiere, Haupt 2015
  • J. Reichling, R. Gachnian-Mirtscheva, M. Frater-Schröder, R. Saller, M. I. Rabinovich, W. Widmaier: Heilpflanzenkunde für die Veterinärpraxis, Springer 2008
  • https://www.deutsche-apotheker-zeitung.de/news/artikel/2019/11/21/pfefferminze
  • https://www.deutsche-apotheker-zeitung.de/daz-az/1998/daz-4-1998/uid-4062
  • https://www.kraeuter-buch.de/kraeuter/Pfefferminze.html
  • http://www.welterbe-klostermedizin.de/index.php/arzneipflanzen/106-pfefferminze-mentha-x-piperita

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